Penso sempre como será o amanhã. Como será o futuro. O que estará reservado. Sei que é inútil esperar pelo uma resposta. Muito menos desejar por um sinal. Mas penso. Todos os dias. Todos os momentos me remetem a isso. E tenho medo quando penso que o futuro não será nada mais do que aquilo que é hoje. Igual dia após dia. Não quero. Não me projecto daqui a cinco anos ou mais vendo exactamente o que vejo hoje. Gosto de pensar que de algum modo vai mudar. Gosto da ideia de alargar horizontes e poder-me imaginar num lugar qualquer com alguém que eu ame. Gosto de poder saber que a mais para além disto. E por isso tenho medo. Medo de não conseguir obter o que pretendo. Medo de não poder provar que mereço. E por isso nestes últimos dias, ando, preocupada com tudo. Tudo me faz ter medo. Cada passo que dou me faz pensar se estou a agir correctamente. Cada resposta que não chega, faz-me duvidar. Reina a incerteza, o medo e as preocupações. Pelo menos por agora. Pode ser que o amanhã seja diferente. De algum modo, desejo que seja. Muito sinceramente.
Irei tentar, não sabendo qual será o resultado. Quero acreditar que será o esperado, e se não for o caso algo se a de arranjar, alguma decisão se irá tomar. Até lá predomina a tristeza de que tudo foi desperdiçado em vão.
Hoje é um daqueles dias em que nada esta bem. A culpa são das dúvidas, dos erros, do podias ter feito mas não fizeste. Através do arrependimento bem as lágrimas. E depois o medo, a insegurança, e os pensamentos negativos, as constantes frases: que não vais conseguir, que vai dar tudo errado, que podias ter tentado, podias ter feito um esforço, ter aguentado e agora que olhas para trás, esse sentimento de culpa é constante e dominador.
Eu costumo dizer que já está feito e que não a lugar para arrependimentos e que se não resultar vai existir outras maneiras, outras formas, mais caminhos irão aparecer. Mas, hoje não. Hoje vou ser realista, mesmo que esteja a exagerar. Hoje, não quero sonhar ou acreditar. Não. Pelo menos por hoje.
