segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Orquídea

Minha querida, Orquídea,

Desde, o dia que partiste que esta casa ficou mais vazia. E, não te vou mentir. Não, têm sido nada fácil. Sem ti aqui, parece que já nada faz sentido. De, alguma maneira e mesmo sem saber como explicar, ainda, sinto a tua presença. O teu cheiro. O teu perfume. Na minha cabeça e pela minha memória, ecoam momentos que passamos juntas. Conversas que tivemos. Confidências que partilhamos uma com a outra. Palavras que me ofereceste e que eu guardei e que ainda guardo no meu coração. Palavras essas, que nunca irei esquecer, Orquídea. Nunca. Por muitos, anos que passem, irei sempre lembrá-las. Conselhos sábios os teus. Histórias tuas, que contavas de quando a minha mãe, fujía da escola e saltava os muros e faltava ás aulas e tu sempre com o coração nas mãos. Histórias, dos teus filhos, que tu com tanto orgulho, contavas e recontavas vezes e vezes sem conta, sempre como se fosse, a primeira vez. Sempre, com o mesmo entusiasmo. Sempre, com a mesma alegria. Sinto, falta disso. Falta, das nossas partilhas. E, nunca as esquecerei. Partiste, tão rápido. Foi, tudo tão depressa. Ainda, estou a tentar assimilhar tudo, o que aconteceu. Têm, sido dias dolorosos estes. Estes, dias sem ti, já não são iguais. Olho, para aquele quarto e tu já não estás lá. Procuro-te, por todo o lado e não te vejo. Eu, sei que estavas a sofrer, e seria egoísmo meu, pedir para que tu ficasses só, mais uns dias. Só, mais umas semanas. Só, mais uns meses. Mas, eu dava tudo. Tudo, para te poder ter aqui, comigo, só mais umas horas. Para, te poder abraçar. Para te poder dizer, o quanto gosto de ti e o quanto te estimo. Sinto, a tua falta, Orquídea. Tanta. Falta, esta que não se vai embora. Por, muito que lute, haverá, sempre um espaço em branco, que será, sempre ocupado, por ti. Sempre, será, para ti. Prometo.

Da, sempre tua, Lígia...